Gusttavo Lima estranhou quando ouviu pela primeira vez o refrão que seria o responsável por seu primeiro disco de platina - aos 22 anos, 13 de carreira. Queria poesia. Ganhou um "tche tcherere tche tchê". “Foi complicado. Quando a música chegou para mim, não era meu estilo. Eu vinha de uma linha romântica, rica em melodia, rica em letra, e veio aquilo ‘eu já lavei o carro, regulei o som’”, diz, citando os versos iniciais da dançante canção com refrão inusitado, que se chama “Balada” e trata exatamente disto. “Gata, me liga, mais tarde tem balada. Quero curtir com você na madrugada”.
O mineiro de Presidente Olegário tinha acabado de alcançar relativo sucesso com seu primeiro álbum, especialmente com as faixas “Cor de ouro” e “Inventor dos amores”. Trazia com ele já cerca de 150 composições próprias. Mas foi justamente a que não era nem dele, nem de seu gosto, que fez com que o segundo álbum estourasse. Lidera há um mês a lista dos mais vendidos no Brasil e, há uma semana, recebeu o disco de platina.
“Balada”, como muitos dos hits da atual fase pop do universo sertanejo, foi composta e gravada primeiro no nordeste, em outros ritmos, antes de ganhar o país na voz de Gusttavo Lima. “Eu nem sei te explicar. Foi a que a gente menos apostou”, diz. “A gente”, no caso, não inclui os executivos da Som Livre, que convenceram Gusttavo de que a música tinha um certo “tche tcherere tche tchê”. “Me disseram ‘grava. Se ficar boa, a gente deixa. Senão, a gente tira’. Falei ‘p...que pariu’. Mas, no final da gravação, já era a que todo mundo estava cantando”, conta.
“Aprendi a gostar dela. Antes não gostava, agora eu amo. A gente deve muito a ela”, reconcilia-se Gusttavo com seu sucesso. Mas não com a ideia de que esteja fazendo música pop. “Eu sou sertanejo”, frisa. “O show tem uma parte com pegada mais de festa, e o novo álbum terá também músicas dançantes, para agradar a todo mundo. Mas eu nasci cantando música sertaneja e vou cantar para o resto da vida”.

