O PT precisa deixar de lado esse complexo de vira-lata

Por: Coluna do Barbosa, Nominuto.com

Antes de tudo, antes que algum aventureiro lance mão e interprete mal o que vou dizer, vou esclarecer o título deste Editorial: “Complexo de vira-lata” é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, a qual originalmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaial na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã 

Dito isto, quero afirmar que quando me refiro ao complexo de vira lata do PT papa-jerimum estou dizendo que o discurso contra as oligarquias já se tornou demodé. Não cola mais este discurso, até porque, se tudo correr como manda o figurino os petistas do Rio Grande do Norte irão se aliar ao PSD, originário do DEM na figura do ex-prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab, que agora se diz Dilmista desde criancinha. Aqui no Rio Grande do Norte representado pelo vice-governador, Robinson Faria, pré-candidato a sucessão estadual. Lembro que Robinson, quando ainda presidente da Assembleia Legislativa, foi o primeiro a defender a candidatura de Micarla de Sousa a prefeita de Natal, que depois acabou se elegendo numa disputa contra a deputada Fátima Bezerra (PT), que também disputou a prefeitura da capital potiguar.

Não custa lembrar também que Fátima Bezerra naquela ocasião foi apoiada pelos Alves – ministro Garibaldi e o presidente da Câmara, Henrique Alves, além de Wilma de Faria, hoje vice-prefeita de Natal e candidata ao Senado assim como Fátima. Ressalto ainda que na última eleição para prefeito de Natal no segundo turno o PT decidiu, em Resolução aprovada por sua direção municipal, dar ”apoio crítico” ao então candidato Carlos Eduardo Alves (PDT), hoje prefeito de Natal. Naquele momento o PMDB, que foi ao segundo turno com o deputado estadual Hermano Morais pediu o apoio dos petistas mas foi negado. Carlos Eduardo agora apoia a candidatura do primo, Henrique Alves, ao governo do estado. 

Bom relembrar ainda que na segunda eleição de Wilma de Faria ao governo do estado, o PT papa-jerimum, que tanto critica as oligarquias, apoiou a sua candidatura, inclusive vindo a fazer parte do governo depois. Portanto, o discurso contra as oligarquias já está ultrapassado e não convence mais o eleitorado. Fosse assim, nas pesquisas de intenção de voto Wilma de Faria e Garibaldi Alves não despontavam em primeiro lugar.

Já disse certa vez e repito agora. Está mais do que na hora do PT do Rio Grande do Norte pensar num projeto próprio de governo e não ficar com esse discurso retórico de que as oligarquias, enquanto governaram o estado, não fizeram nada. Se é assim, por que o PT não lança uma chapa puro-sangue, com o deputado estadual Fernando Mineiro para governador e a deputada federal Fátima Bezerra para o Senado? Acredito ser uma chapa forte em condições de disputar tanto o governo como o Senado. Aí sim, o discurso contra os poderosos iria valer de verdade. Por enquanto esse discurso não passa de retórica. 

Fazer um discurso contra as oligarquias quando se tem como aliado que fez da política sua profissão e que iniciou sua vida pública levado pelos braços dos Alves – Robinson Faria foi eleito pela primeira vez deputado pelo PMDB – e que depois se tornou aliado e amigo do hoje presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, só depois rompido porque ele (Robinson) cooptou prefeitos e deputados do DEM para fundar o PSD no Rio Grande do Norte , é muito fácil.